A Porcelana

20/06/2013 17:23

A Porcelana

Porcelana e sua evolução.

No Período Neolítico, a cerâmica era trabalhada a mão, cozida nas brasas e polida. Na antiguidade os povos do Oriente Médio faziam louça amassada com palha e cozida ao sol. Os mais antigos revestimentos de vidro foram encontrados na Anatólia, na Mesopotâmia, na China e no Egito.

Atribui-se à China a primeira cerâmica branca de massa translúcida, conhecida por porcelana. As primeiras louças vitrificadas (dinastia Han, séc. XII) resultaram talvez de seguidas relações comerciais com povos mesopotâmicos, que exploravam essa indústria desde a época remota. Posteriormente, a porcelana chinesa parece ter evoluído sem sofrer influências externas. Na dinastia Tang (618 a 907) criou-se a cerâmica parecida com a porcelana, e, na dinastia Sung (960- 1259-1279), louça vitrificada com características de porcelana. No reinado do imperador Kang- hi (1662-1722) produziu-se a porcelana vermelha, aperfeiçoou-se a porcelana azul dos Ming e exportou-se para a Europa a porcelana chamada “ família verde” pela cor dominante na decoração.

Desta forma, a porcelana chinesa foi a mais importante e, da mesma forma, a que influenciou a ocidental.

No começo do séc. XVIII, foi descoberto na Alemanha o processo de vitrificação, instalando-se a primeira fábrica de porcelana “dura” em Meissen ( c.1710)   

Fórmula de fabricação do "ouro branco" foi anotada pela primeira vez por Johann Friedrich Böttger no dia 15 de janeiro de 1708. O alquimista trabalhava para o príncipe saxão Augusto o Forte, ávido de bens materiais.

 

"Idealmente branca e translúcida": foi com esses parcos adjetivos que Johann Friedrich Böttger, então com 26 anos, se referiu à massa que conseguira produzir nas casamatas de Dresden, onde experimentava como prisioneiro do príncipe saxão Augusto, o Forte, na busca de uma solução para o fabrico da porcelana.

 

A anotação, datada de 15 de janeiro de 1708, contém também a fórmula utilizada pelo alquimista naquele determinado experimento e é considerada por isso a "certidão de nascimento" da porcelana européia. Fazia 200 anos que se tentava em diferentes cortes da Europa encontrar a receita para fabricar o bem precioso, importado até então da China a altos preços.

 

Busca do ouro levou ao "ouro branco"

 Böttger (1682-1719) afirmava em Berlim, depois de concluir o aprendizado de farmacêutico em 1701, ter encontrado a fórmula do ouro. Tendo despertado a cobiça do rei da Prússia, decidiu fugir para Wittenberg, onde chamou a atenção do não menos ambicioso rei da Saxônia, Augusto, o Forte. Tratado desde então como segredo de Estado, foi levado para as casamatas de Dresden, para continuar experimentando às escondidas, na busca da fórmula do precioso metal.

  

A partir de 1704, o erudito Walther von Tschirnhaus colocou o jovem alquimista a par de seus escritos teóricos sobre a fabricação da porcelana. Juntos, recorreram aos conhecimentos de especialistas em minas, com destaque para Gottfried Pabst von Ohain.

 

A descoberta da fórmula do "ouro branco" foi, portanto um trabalho de equipe, tendo cabido a Böttger grande parte do sucesso na prática. Já em 1707 ele conseguiu confeccionar uma faiança que ainda não tinha o grau de pureza da porcelana e era de uma cor mais escura.

 

A Manufatura de Meissen

 Em 1710, Augusto, o Forte, que tinha fascinação pela porcelana, mandou fundar uma manufatura em Meissen. Aperfeiçoando passo a passo a receita da massa, Böttger, que dirigia a manufatura, pôde levar a porcelana de Meissen pela primeira vez à Feira de Leipzig em 1713.

 

No começo, a manufatura produzia vasos e figuras segundo o modelo chinês, mas logo desenvolveu um estilo próprio, que se orientava pelo barroco europeu. As espadas azuis cruzadas, que se tornaram símbolo da marca que representa por excelência luxo e tradição, foram introduzidas em 1722.